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Quem não quer um Christian Gray?

A quebra de tabu de 50 tons de cinza serviu para revelar que as mulheres gostam sim de sexo e estão dispostas a tudo por prazer.

Christian Gray é pura inspiração

Nesta sexta (14), o site de bate papo adulto com webcam, o TeVejo vai participar de um encontro virtual diferente. É o 50 tons de rosa, no qual as meninas usarão somente roupas na cor rosa ao entrarem na sala do chat. O nome do evento foi propositalmente escolhido para servir de referência ao Best seller mundial, 50 tons de cinza, tão popular entre o sexo feminino e também uma das referências de liberdade sexual ao desmistificar o sexo para a mulher no que diz respeito ao âmbito da literatura e, em breve, do cinema.

O livro de E. L. James, escrito inicialmente em formato de uma fanfiction (ficção criada por fãs) da série Crepúsculo, representa a figura da mulher na personagem Anastasia, uma tímida garota que se vê apaixonada pelos mistérios e encantos do atraente e maduro Christian Gray. Porém, durante o envolvimento dos dois, Anastasia tem de lidar com uma coisa nunca imaginada antes. Sexo, muito sexo e também uma nova experiência; o masoquismo.

Christian Gray, bem sucedido e bilionário, é controlador e, por conta de um trauma de infância, desenvolveu um comportamento sexual que para muitos ainda é considerado tabu; ele sente-se sexualmente excitado ao infligir dor às belas mulheres com que dorme, tudo durante o ato.

Anastasia se vê divida entre a inocência de um amor e o prazer e orgasmos que tem em sua relação com Christian Gray, a ponto de entrar em conflito consigo mesma. Esses questionamentos continuam até que a moça compreenda que o sexo, se feito com uma devida intimidade, pode ter várias faces, não só o clichê arroz e feijão.

O grande público estremeceu com as muitas cenas detalhadas de um sexo masoquista, novidade para a área literária de grande porte. As mulheres, desde as mais novas e solteiras, até donas de casa casadas, aquelas que vivem sob o estereótipo do sexo papai e mamãe, foram as maiores atingidas ao experimentar nessa outra esfera apresentada, a sexualidade feminina. Prova disso está na história de vida da autora do livro, mulher madura, dona de casa e mãe de dois filhos adolescentes.

O lançamento e furor do livro trouxe um baque entre a população. Críticas e muitos elogios, e uma série de fãs loucas para virarem as próximas Srtas. Christian Gray. O sexo, diga-se de passagem, não convencional, finalmente, saiu de dentro das quatro paredes e atingiu todo o mundo e as mulheres, aos poucos, foram se sentindo mais seguras para afirmar “eu gosto de sexo e quero coisas novas”. Não se falava de outra coisa nos grupos de amigas.

Nos livros

A mulher passou a ter espaço no mundo desde o dia em que queimou sutiã, vestiu um biquine e começou a votar, igualando-se em relação aos homens no que diz respeito a muitos direitos civis. Porém, mais demorado foi a libertação sexual do sexo feminino, considerado até hoje por alguns, o sexo frágil.

“É isso que livros como 50 tons de cinza trazem. Essa quebra de estereótipos de que a mulher não pode gostar de sexo.”, comenta Priscila Bourbon, 40 anos, apaixonada por Christian Gray e que afirma topar tudo entre quatro paredes com seu marido. Para ela, esse tipo de abordagem que vem sendo feita no cinema e na literatura apresenta uma legião de fãs de mulheres bem resolvidas, dispostas a assumir riscos e buscar novas experiências.

O boom instantâneo da publicação gerou uma leva de outros autores e inspirou também o cinema. Sylvia Day foi outra autora que ganhou destaque entre as obras eróticas. Sua série de livros, Crossfire, já se tornou Best seller e teve os direitos comprados para ser transformada em um seriado de televisão. Ela é outra que aproveita o espaço literário para dar vazão a toda a sexualidade que pode ser vivida entre um casal, afirmando, inclusive, que um bom romance, sem sexo, não é tão bom assim.

Christian Gray assim como Bruna Surfistinha é sucesso na literatura eróticaRaquel Pachecho, ou Bruna Surfistinha, como é mais conhecida do público brasileiro, não fica para trás das autoras internacionais. Com seu primeiro livro, O doce veneno do escorpião, um relato de sua vida como garota de programa, a ex-prostituta e ex-atriz pornô foi publicada em mais de 30 países e ganhou notoriedade no mundo todo, vendendo os direitos para a produção de filme, que foi protagonizado por Déborah Secco. Hoje ela já está em sua terceira publicação e não deixa de lado a parte erótica de suas histórias.

Nas telinhas

Christian Gray desperta a imaginação e abre portas para o cinema erótico

No cinema, 2013 foi o ano de ouro para os filmes que retrataram o erotismo. Lançamentos como Ninfomaníaca, do diretor Lars Von Trier e Azul é a cor mais quente fecharam o ano com chave de ouro, sendo, inclusive, grandes premiados.

No primeiro, Trier, muito conhecido por seus filmes polêmicos, traz um diário da vida e o dia a dia de uma mulher viciada em sexo, com direito a muitas cenas explícitas. O filme, que tem duração de cinco horas, foi divido em duas partes. O diretor garante que a segunda parte estará nos cinemas ainda em 2014.

Azul é a cor mais quente, do franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, foi ovacionado nos maiores prêmios, ganhando, inclusive, o Palma de Ouro no Festival de Cannes. Retratar a história de amor entre duas meninas, com direito a três horas de filme, sexo lésbico e cenas caliente, como um take de sexo entre as protagonistas, com mais de seis minutos.

O último, mas não menos importante, foi Jovem e bela, do francês François Ozon, contando a história da linda Isabelle, de 17 anos, que se prostitui em hotéis de Paris nos intervalos entre as aulas do colégio. Ozon traz, além do fato da menina de classe média precisar do dinheiro, o prazer que encontra ao submeter-se a tipos variados de sexo e homens mais velhos.

A mudança

Os meios são claros. A literatura e o cinema são apenas mais duas ferramentas que vem provando ao mundo todo a quebra de tabus em relação ao sexo, principalmente no que diz respeito a sexualidade feminina. Com tamanha força, estão cada dia mais ganhando espaço no cenário cultural e adquirindo uma legião de fãs.

As mulheres estão mais abertas a conteúdos eróticos, prova disso são as diversas faces do erotismo que a internet possibilitou. Mulheres que ganham a vida como camgirls, as que abusam e usam de toda sua libido para se exibir e ganhar admiradores em salas de bate papo com webcan, outras que preferem fazer vídeos pornôs e, enfim, as que não tem nenhum preconceito em experimentar; experimentar o sexo com paixão ardente, latente, acesa, que corre nas veias femininas assim como nas masculinas.

Vivemos no século da experimentação, da libertação do corpo feminino. Nascemos mulheres com mentes mais abertas e, aos poucos, isso deixará de causar certo estranhamento, que infelizmente ainda o causa, tornando-se cada dia mais comum.

Por Aurora B. (fotos: reproduções do google).

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